quinta-feira, 2 de julho de 2020

Os monges que gastavam anos transformando a si mesmos em múmias – enquanto vivos.

Os auto-sacrificantes ‘sokushinbutsu’() japoneses eram realmente determinados.

O clima japonês não é exatamente facilitador para a mumificação. Não existem turfeiras, não existem desertos áridos, e nem cumes de alpes permanentemente congelados. Os verões são quentes e úmidos. Entretanto, de algum modo um grupo de monges budistas do secto Shingon descobriu um caminho para mumificarem a si mesmos através de um rigoroso treino ascético nas sombras de um pico particularmente secreto na prefeitura montanhosa do norte, em Yamagata.
Entre 1081 e 1903, pelo menos 17 monges conseguiram se mumificar. Os números podem bem ser maiores, entretanto, já que é provável que algumas múmias nunca foram recuperadas das tumbas alpinas.
Esses monges tomavam tal prática em emulação de um monge do século IX chamado Kūkai, conhecido postumamente como Kōbō Daishi, que fundou a escola esotérica Shingon de Budismo em 806. No século XI, uma hagiografia de Kūkai surgiu reivindicando que, quando em sua morte em 835, o monge não morreu em absoluto, mas rastejou até sua tumba e entrou em nyūjō, um estado de meditação tão profundo que incluía animação suspensa. De acordo com sua hagiografia, Kūkai planeja emergir em aproximadamente 5.67 milhões de anos para levar um número predeterminado de almas ao nirvana.
A primeira tentativa registrada de se tornar um sokushinbutsu, ou “um Buddha neste mesmo corpo”, através do ato de auto-mumificação, deu-se no fim do século XI. Em 1081, um homem chamado Shōjin tentou seguir Kūkai em nyūjō através de enterrar a si mesmo vivo. Ele também estava esperando regressar num futuro bem distante para o bem da humanidade, mas quando os discípulos de Shōjin’s chegaram para recuperar seu corpo, ele havia apodrecido. Levaria mais quase dois séculos de tentativas e erros até que alguém descobrisse como mumificar a si mesmo e, eles acreditavam, enganar a morte a fim de entrar num estado de meditação eterna.
O processo de auto-mumificação é longo e árduo, levando no mínimo três anos de preparação antes da morte. Essencial para essa preparação é uma dieta denominada mokujikigyō, literalmente “treinamento de comer árvore”. Essa dieta pode ser traçada através do Shugendō até a prática Taoísta de abstenção de grãos cultivados.
Por mil dias, a dieta mokujikigyō limita os praticantes a comer apenas o que pode ser coletado nas montanhas, como nozes, brotos e raízes de árvores. Algumas fontes também afirmam que bagas também podiam ter entrado na dieta, assim como cascas de árvores e agulhas de pinheiro. O tempo que não era gasto para coletar alimento, era usado em meditações na montanha.
Sob uma perspectiva espiritual, esse regime tinha a intenção de fortalecer o espírito e distanciar o praticante do mundo humano convencional. De um ponto de vista biológico, a dieta severa livrava o corpo de gordura, músculo e umidade, ao mesmo tempo em que retinha nutrientes da biosfera natural de bactérias e parasitas do corpo. Os efeitos cumulativos serviam para deter a decomposição após a morte.
Ao completar um ciclo de mil dias nessa dieta, os praticantes eram considerados espiritualmente preparados para entrar em nyūjō. Entretanto, a maioria dos monges completava dois ou até três ciclos para se prepararem por completo. Após o ciclo final, o devoto cortaria todo o alimento, beberia uma quantidade limitada de água salinizada por cem dias, e meditaria sobre a salvação da humanidade enquanto esperava morrer.
Muitos acreditavam que alguns praticantes nesse estágio bebiam um chá feito com a casca da árvore da espécie Toxicodendron verniculum. Um tipo de sumagre, a árvore japonesa de laca é chamada assim porque é usada para fazer a tradicional laca japonesa, urushi. Sua casca contém o mesmo composto tóxico que faz a era venenosa tão tóxica. Se ingerida por esses monges, o chá de urushiiria ao mesmo tempo agilizar a morte e fazer o corpo ainda menos acolhedor para bactérias e parasitas que agem na decomposição.
Quando o devoto sentia a morte se aproximando, seus discípulos o baixariam em uma caixa de pinheiro no fundo de um poço de três metros de profundidade num local predeterminado. Eles então estocariam carvão vegetal ao redor da caixa, inseriam um bastão de bambu através da pequena fresta, e enterravam seu mestre vivo. Sentado em total escuridão, o monge iria meditar e regularmente tocar um sino para confirmar que ainda estava vivo. Quando o toque parava, os discípulos abriam a tumba para confirmar a morte de seu mestre, remover a via aérea de bambu, e selar a tumba.
Mil dias depois, o monge seria exumado e inspecionado para sinais de decomposição. Se algum sinal fosse encontrado, o corpo seria exorcizado e enterrado novamente com pouca cerimônia. Senão, o corpo era determinado como um verdadeiro sokushinbutsu e consagrado.
A última pessoa a se tornar sokushinbutsu o fez ilegalmente. Um monge chamado Bukkai morreu em 1903, mais de três décadas depois do ato ritual ser criminalizado durante a Restauração Meiji, porque o novo governo o considerou barbárico e retrógado.
Nessa época, o Japão havia entrado na era moderna, e a maioria das pessoas considerava Bukkai mais louco que sábio. Seus restos mortais não foram desenterrados até 1961 por uma equipe de pesquisadores da Universidade Tohoku, que ficaram espantados pela condição pristina de Bukkai. Embora ele tenha entrado em nyūjō em Yamagata, seus restos mortais agora descansam em Kanzeonji, próximo à prefeitura de Niigata. Existem 16 sokushibutsu no Japão, 13 das quais estão preservadas na região de Tohoku. Sete de oito encontradas em Yamagata permanecem nas redondezas do Monte Yudono, fazendo deste o local ideal para peregrinação.
O mais antigo e bem preservado desses monges mumificados pode ser encontrado em Dainichibō. Seu nome é Shinnyokai, e entrou em nyūjō em 1783 na idade de 96 anos. Como todos os outros, ele permanece na posição de lótus, mantido atrás de vidro, numa caixa num santuário no interior do templo que cuida dele. Sua pele é de um cinza claro, repuxada sobre os ossos de suas mãos, punhos e face. Sua boca está esticada num eterno sorriso de chacal, seu rosto voltado para seu colo.
As vestes elaboradas de Shinnyokai são ritualisticamente trocadas a cada seis anos, o dobro de vezes de todos os outros sokushinbutsu. As roupas velhas são cortadas em pequenos quadrados e colocados dentro de bolsinhas de seda acolchoada, que podem ser compradas por ¥1.000, como amuletos de proteção. Depoimentos enviados por pessoas jurando que os efeitos milagrosos desses talismãs estão espalhados ao redor da base do santuário de Shinnyokai.
Outro sokushinbutsu, Tetsumonkai, reside próximo de Churenji. Tetsumonkai entrou em nyūjō em 1829, na idade de 71 anos, e de todos os sokushinbutsu, sua vida é talvez a melhor documentada. Tetsumonkai era um plebeu que matou um samurai e fugiu para se unir ao sacerdócio, um ato que garantiu a ele proteção legal plena. Mais tarde, Tetsumonkai visitou a cidade-capital de Edo, hoje Tóquio. Ali, ele ouviu falar sobre uma doença oftálmica afligindo a cidade e arrancou seu próprio olho esquerdo como um ato de misericórida que poderia neutralizar a moléstia. Incrivelmente, Tetsumonkai é um de muitos sokushinbutsu que realizaram auto-enucleação —remover o próprio olho—como um ato de caridade.
Tetsumonkai certa vez serviu como sacerdote-chefe em Honmyōji, em uma curta distância aonde seus restos mortais agora são guardados. Aqui ele fora encarregado de vigiar outro sokushinbutsu, Honmyōkai, o mais velho monge auto-mumificado em Yamagata.
O samurai que se tornou sacerdote Honmyōkai, gastou uma quantidade de tempo inconcebível de 20 anos em treinamento ascético até 8 de Maio de 1681, quando seus discípulos o baixaram, delirante de fome, num poço atrás do templo, e o enterraram vivo. Um epitáfio de pedra massivo e coberto de musgo marca o local onde Honmyōkai entrou em nyūjō em meio a um bosque de pinheiros apenas algumas dúzias de metros além do saguão onde seus restos mortais agora são mostrados.
Esses três sokushinbutsusão de longe os mais próximos do Monte Yudono e os locais de seus respectivos treinamentos. Dainichibō e Churenji são acostumados com turistas, e nos fins-de-semana visitantes comumente encontram bandos de aposentados entrando e saindo de ônibus com ar-condicionado que param nesses templos em seu caminho de ou para o Monte Yudono. O valor de ¥500 de entrada que Dainichibō e Churenji cada um cobra, junto de vendas de amuletos de proteção e outras bugigangas, mantêm as portas dos templos abertas e sua história viva. Honmyōji não cobra entrada e recebe menos visitantes, mas eles continuam satisfeitos em mostrar suas múmias realizadoras de desejo. Os templos estão satisfeitos com a atenção e até foram longe o bastante para emitir um cartão de carimbo sokushinbutsu em 2015, junto com Nangakuji na cidade próxima de Tsuruoka, para encorajar visitantes a fazer uma parada em todos os quatro templos.
Nangakuji abriga Tetsuryūkai, que foi mumificado em 1878, uma década depois da prática ter sido feita ilegal. Tetsuryūkai morreu de doença antes dele completar seu treino, portanto, tecnicamente não é um sokushinbutsu. Seu corpo é tratado artificialmente para que seja melhor preservado, e o templo relativamente simples enclausurando seus restos mortais oferece a vista mais próxima que alguém pode ter de um monge mumificado em Yamagata. A tentativa falha de Tetsuryūkai para propriamente entrar em nyūjō está escrita em todo seu rosto, cuja pele está se descamando de sua cavidade nasal.
Kaikōji abriga dois sokushinbutsu. Chūkai, que morreu em 1755, e seu ex-discípulo, Enmyōkai, que morreu em 1822, agora sentam lado a lado em meditação eterna. A despeito das diferenças de idades, você pensaria que eles eram irmãos. Eles têm a mesma pele tensa, lustrosa e escura, assim como as mesmas mãos ossudas, olhos afundados, e bocas escancaradas cheias de dentes.

(Traduzido de Davey Young, por Felipe Roubert)

quarta-feira, 1 de julho de 2020

O horror sangrento de Pinochet mostrou como o capitalismo irá responder quando ameaçado

A razão pela qual o regime de Pinochet torturou e matou dezenas de milhares de pessoas, e porque os admiradores modernos da extrema-direita glorificam suas ações, tem a ver com a psicologia do poder. Isto é, o desejo dos poderosos de afirmar seu poder sobre o grupo dominado. Quando num contexto dos poderosos rechaçando uma rebelião das classes baixas, esse desejo por decretar violência e crueldade com o fim de manter o controle para si é especialmente forte.


Logo, não é coincidência que Pinochet teve a tarefa de suprimir uma possível revolta da classe baixa. Seu regime veio ao poder depois que a CIA destituiu o presidente socialista eleito democraticamente do Chile, Salvador Allende, e Pinochet e seus “garotos de Chicago” tiveram a tarefa de proliferar políticas neoliberais, apesar da larga oposição popular que essas políticas tinham naturalmente se deparado. Como Margaret Thatcher disse a respeito do porquê da classe capitalista global ter abraçado o neoliberalismo, “não existe alternativa” –se essa austeridade radical e medidas de privatização não fossem levadas adiante, a recessão dos anos 70 continuaria fazendo os lucros dos capitalistas caírem, e todo o sistema potencialmente iria desabar. Se a classe dominante queria manter seu poder, o neoliberalismo deveria ser concretizado de qualquer forma.

Pelo julgamento de Pinochet e seus apoiadores na elite neoliberal e imperialista, as coisas que as vítimas de seu regime suportaram seriam meramente o custo de concretizar essa tarefa a fim de preservar a estrutura de poder. O economista neoliberal Friedrich Hayek disse sobre Pinochet que é possível para um “ditador governar de uma maneira liberal”, e que ele preferia um “ditador liberal” do que “um governo democrático carente de liberalismo”. Henry Kissinger disse sobre o regime de Pinochet que “eu penso que nós devemos entender nossa política – que por mais desagradável que ela aja, o governo é melhor para nós do que Allende foi. Logo, nós não deveríamos dar suporte para movimentos contra eles meramente os desassociando”. É importante compreender exatamente quais ações essas figuras estavam tolerando. Lux de las Nieves Ayress Moreno, uma das pessoas presas pela polícia de Pinochet por se opor ativamente ao regime, escreveu sobre suas experiências:

Eu estive em vários centros de detenção mas o que mais me lembro era chamado Tejas Verdes… Assim foi como Pinochet me torturou: eles me tornaram prisioneira com meu pai e meu irmão de quinze anos, Tato... foi uma operação impressionante [e] eles nos levaram para uma casa onde o Serviço de Inteligência Militar estava posicionado… eles me jogaram no chão coberto com água e aplicaram disparos de eletricidade em todo o meu corpo, mas especialmente os seios, vagina, ânus, olhos, boca, e pescoço... então eles chamaram meu pai e começaram a torturá-lo na minha frente para que então eu falasse, em todo esse tempo batendo em mim... então eles chamaram meu irmão e fizeram aquilo mesmo com ele... eles puxaram meus mamilos e fizeram cortes com facas e lâminas de barbear. Eles violaram minha vagina com suas mãos sujas, garrafas, dedos, pedaços de pau, coisas feitas de metal, e depois novamente, com choques elétricos. Eles me levaram para fora e pretendiam atirar em mim. Junto com uma mulher que estava grávida de cinco meses, eu fui uma das prisioneiras mais torturadas em Tejas Verdes… Eu fui deixada para morrer. Eu acredito que muitas pessoas foram mortas em Tejas Verdes, mas eu não sei quantas, ou seus nomes; eu era sempre incapaz de me comunicar.

Desde então, os EUA tentam se desassociar das atrocidades de Pinochet enquanto que ao mesmo tempo, regularmente demonstram violência de um grau similar. O governo de Bush expressou simpatia pelas vítimas de Pinochet, entretanto criou um programa de tortura que consiste em afogamento, choques elétricos em genitais masculinos, e até coisas piores; Fatima Boudchar escreveu sobre sua experiência em um dos campos de concentração secretos da CIA: “Algumas coisas que eles fizeram comigo naquela prisão eram tão repulsivas que eu nem consigo falar sobre. Eles me acertavam no abdômen bem onde o bebê estava. Para me mover, eles me amarravam numa maca da cabeça aos pés, como uma múmia. Eu sabia que em breve eu seria morta.”

Práticas como afogamento foram desde então defendidas por Dick Cheney, e de forma infame pelo colunista de extrema-direita do Wall Street Journal Bret Stephens. E os atos mais extremos de punição física em prisioneiros durante a Guerra ao Terror foram implicitamente perdoados pelo sistema de Washington. Gina Haspel, que chefiava um dos campos de concentração secretos que faziam esses tipos de atrocidades que Boudchar descreveu, tem sido então feita diretora da CIA pelo governo Trump. Trump também tornou a delegada Billingslea Secretária Assistente para o Financiamento Terrorista no Departamento do Tesouro dos EUA, mesmo que Billingslea tenha facilitado os abusos aos direitos humanos da era Bush.

Assim como invadir países para avançar lucros de corporações, encarcerando milhões de pessoas para o benefício dos complexos industriais-prisões, ou matando pessoas negras para fortalecer o estado policial, tortura serve uma função para a classe capitalista: para reprimir a oposição. A introdução da tortura na política antiterrorista norte-americana desde o 11/9, criou uma ameaça implícita à atores políticos cujo estado pode decidir por considera-los “terroristas”. Isso se tornou aparente na tortura que o delator Julian Assange recebeu quando estava preso em Belmarsh, a versão britânica de Guantanamo.

Enquanto o império vai perdendo sua força no globo, e como o capitalismo agora passa por sua pior crise desde o século passado, os métodos de Pinochet irão continuar sendo mais sedutores para a classe dominante. Operação Condor, a campanha norte-americana secreta de repressão pela América Latina que o regime de Pinochet contribuiu, é agora repetida enquanto Washington prepara seu ataque contra a esquerda latino-americana; as sanções genocidas dos EUA sobre a Venezuela, o recente golpe na Bolívia que resultou numa limpeza étnica contra populações indígenas, e as repressões norte-americanas violentas contra opositores de estados neoliberais como Chile e Equador no ano passado representam as crescentes reações da luta de classes.

A criação de esquadrões da morte legalmente impunes, assassinatos de jornalistas críticos, e tortura daqueles que tentaram expor os crimes do golpe de estado boliviano, prefiguram como as “democracias” capitalistas, como os EUA, irão fomentar guerras de classes contra os pobres nos anos que virão. A aparência imperialista de liberdade e justiça, que foi amplamente abandonada em meio à Guerra ao Terror e a brutal repressão contra opositores recentes, irá desaparecer completamente. O que irá restar será uma campanha de barbarismo horrenda, vendida sob a retórica enganosa que Henry Kissinger usou em um artigo desse ano: “As democracias do mundo precisam defender e sustentar seus valores Iluministas... (e) salvaguardar os princípios da ordem mundial liberal.”

Para o governo Trump, cuja política o próprio Kissinger ajudou a guiar, essa tarefa até o momento tem significado atirar nos olhos dos manisfestantes, usar a polícia para atacar jornalistas em protestos, e usar toques de recolher como armas para decretar violência contra manifestantes pacíficos. A militarização da polícia, erosão das liberdades, e aumento de abusos aos direitos que vêm ocorrendo através do mundo capitalista mostram como a reação dessa classe dominante se estende bem além da América.

O caminho para a ditadura, no qual está ocorrendo em países liderados por fascistas, como a India de Modi e o Brasil de Bolsonaro, e que já chegou em sua conclusão na Hungria de Orban, revela o quão fácil tem sido para muito mais ‘Pinochets’ ascenderem durante o capitalismo de estágio avançado. Tudo o que está se desenrolando é uma série de desenvolvimentos de desestabilizações -11/9, os dois grandes colapsos econômicos dos últimos doze anos, a crise global do meio ambiente- que têm feito as ditaduras aparentarem ser a melhor opção para a classe dominante.
Pinochet continua a ter apologistas pela mesma razão que os poderes capitalistas cada vez mais emulam suas ações: aqueles que suportam a estrutura do poder corrente, acreditam que qualquer ação que a preserve está correta. Se não existe alternativa para a hegemonia capitalista, não existe alternativa para quebrar os corpos daqueles que resistem.

(Traduzido de Rainer Shea, por Felipe Roubert.)

Link para texto original: https://medium.com/@rainershea612/the-bloody-horrors-of-pinochet-showed-how-capitalism-will-respond-when-its-threatened-e723fd1fb442